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A POUSADA
LENDAS DE BONITO
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Lenda dos Enterros
Durante a Guerra do Paraguai, iniciada em 1864, soldados paraguaios - que vinham lutar em terras brasileiras - traziam ouro para garantir o sustento, trocas-trocas e afins. Muitas batalhas se deram onde hoje fica o estado do Mato Grosso do Sul.

Durante os confrontos, os paraguaios enterravam o metal para não perdê-lo ou serem roubados. Procuravam uma Figueira típica da região - não a dos famosos figos nem as das praças públicas de São Paulo - e escondiam o ouro sob a sombra ou a uma determinada distância da árvore. Na volta das lutas, desenterravam e seguiam com o metal.

Entretanto, diversos soldados paraguaios morreram antes de alcançar seu tesouro. Assim, a Guerra acabou em 1870. Mas¡­ os espíritos deles continuam vagando por Bonito em busca dos ouros. Pessoas juram - de pés juntos - que encontraram o precioso metal enterrado aos pés das Figueiras. Porém não adianta voar para lá atrás do seu brilho dourado.

Não é qualquer um que consegue descobri-lo. Apenas quem possui bom coração - alma inocente e pura - é levado pelos espíritos ao local do desenterro. Muitas pessoas do bem dormiram nos seus quartos e acordaram acima do tesouro no quintal. Outros foram instruídos por meio de sonhos ou visões. Gananciosos enlouqueceram, ricos empobreceram, ambiciosos amarguraram e entristeceram.


Lenda do Sinhozinho

Lenda, realidade e mistério parecem confundir-se quando o assunto é Sinhozinho, figura mítica já incorporada à história e ao folclore de Bonito. Considerado um homem santo por seus seguidores, a história do "Mestre Divino" remete ao ano de 1944, quando este senhor de longas barbas, olhos e cabelos claros apareceu na região.

Sinhozinho era tido como curandeiro e realizador de milagres, utilizando apenas cinzas e água em suas sessões de cura. Vestia um longo manto sob o qual seu braço esquerdo permanecia sempre escondido, sem nunca ter sido visto. Alimentava-se apenas de frutas, mandioca, peixe e mel, do qual carregava sempre um frasco e molhava os lábios constantemente. Não falava, comunicando-se apenas por gestos que fazia para o alto.

Sua mais famosa lenda é a da imensa serpente que vive no subsolo da cidade, e que um dia sairá e acabará com tudo, caso as pessoas não cuidem bem da natureza - alguns interpretam isto como um aviso aos gananciosos, que visam apenas o lucro sem se preocupar com a fragilidade do meio ambiente de Bonito. Durante suas peregrinações pela região, construiu várias cruzes de madeira que deixou fincadas por onde passava.

Por ter arrebanhado inúmeros seguidores, e pelos seus poderes de curar enfermidades, despertou a ira de autoridades e comerciantes de medicamentos, que se tornaram seus inimigos. Foi preso e morto, e diz a lenda que seu corpo foi esquartejado, tendo cada membro jogado em um dos rios da região, o que explicaria a limpidez cristalina de nossas águas.

Até os dias de hoje, em 12 de outubro, ocorrem procissões à Capela do Sinhozinho - localizada próxima ao Rio Mimoso -, onde ainda está guardada uma de suas cruzes, objeto da adoração de seus devotos.


Lenda das 700 Luas
 
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  houve uma época em que toda a região da Serra da Bodoquena era habitada pela brava e admirável nação indígena dos Terena. Entre os valores que cultuavam, o amor se sobressaía.

Cacai, a mais bonita de todas as jovens terenas pertencia a uma tribo localizada próxima à Gruta do Lago Azul, mas os guerreiros de todas as tribos já haviam ouvido falar da índia e seus encantos.

.....Um de seus pretendentes, um jovem cacique escolheu Cacai para companheira e, como mandava a tradição, convidou-a para o pacto das 700 luas. Nele noivo e noiva se conheciam durante 700 luas e em seguida ambos decidiriam quanto ao casamento (a resposta, positiva ou não era aceita respeitosamente por outros membros da tribo), que ocorria na Gruta do Lago Azul, onde eram pronunciadas palavras mágicas que só os velhos terenas conheciam.
"...Transcorria o namoro de Cacai com o jovem chefe da tribo, como era do costume daquela gente, mas o "deus do destino", que coloca os sentimentos no coração das pessoas, tinha outros planos para Cacai. Certo dia caiu prisioneiro daquela tribo um guerreiro estrangeiro. Tinha a pele clara e carregava nos olhos um brilho que Cacai jamais vira. Os seus cabelos castanhos apresentavam mechas brancas, revelando que aquele guerreiro forte e ágil era quase um ancião. Cacai cuidou de seus ferimentos, ensinou-lhe a sua língua, conquistou a sua alma e... descobriu que ele era o verdadeiro amor da sua vida.
.....Quando as 700 luas passaram, a resposta de Cacai foi de que não se casaria com o chefe da tribo. Ele, inconformado e enfurecido, obrigou a realização do ritual, contrariando a sagrada tradição terena. O pacto foi realizado, e para desespero de Cacai, as palavras mágicas foram pronunciadas. Não havia mais esperanças para Cacai e seu amado. Qualquer mulher que quebrasse o sagrado juramento tinha o seu coração traspassado por uma fria flecha terena. Cacai sabia disso, mas sabia também que devia obediência ao valor supremo do amor. Curvou-se a ele. Naquele mesmo dia fugiram numa canoa, descendo o rio Formoso. O cacique reuniu seus guerreiros e... Cumpriu-se a maldição. O sangue de Cacai e seu amado foram tornando a água do Rio Formoso cada vez mais limpas, e quando a última gota foi derramada, todo o rio e até seus afluentes estavam com a água cristalina e transparente como fora o coração de Cacai (...)"
(Autor desconhecido - in Comtur - e Redação).

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